segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

depressão

E chegou forte!
Ontem, domingo, eu não queria sair da cama.  Porém Clésia (que pariu Theo no mesmo dia que pari Rebeca) disse que passaria aqui em casa e traria umas roupinhas de bebê.  Tive que me mexer.  Adorei a visita.  Conversei, ri e só de vez em quando eu lembrava dos meus medos.
Mas hoje...  hoje eu não quis fazer nada.  estou muito, mas muito pra baixo.  Estou irritada, com vontade de chorar o tempo todo, sem paciência...  Ainda "enjoando", e não consigo comer direito, pq não tenho fome.
Tentei procurar vários casos positivos na internet, porém sempre me vem à cabeça que os negativos ninguém vai contar em blog...  Hoje eu não consegui ver fotos de parto.  Vi e comecei a chorar, pensando que se for onfalocele ou gastrosquise terei que fazer uma cesárea (necessária).  Mesmo sabendo que é necessária, é muito difícil de aceitar que terei mais uma cesárea depois de ter lutado tanto pelos meus partos normais!  Tudo é tão difícil pra mim, mas tão difícil que queria me esconder numa caverna o dia inteiro.  quinta-feira está tão longe que parece que nunca vai chegar.
E não saber o sexo do bebê passou a ser um detalhe tão bobo, tão fútil, que pra mim nada mais importa.  Só importa saber se meu bebê está bem, se é saudável, se não tem nada de doença nenhuma...

sábado, 24 de janeiro de 2015

E o tempo não passa...

Ao contrário do que diz na música, o tempo pra mim não passa...
Dia 22 fui fazer o usg morfológico.  Estava super apreensiva e torcendo muito para que pudéssemos constatar que foi apenas uma impressão e que não tem onfalocele nenhuma.  Acordei cedo, me arrumei e ao entrar no carro perguntei pela carteira.  O Rafael não sabia onde estava.  Saiu pra procurar, revirou a casa mas não achou.  Liguei pra remar para o dia seguinte.  Mas estava muito chateada.  Muito mesmo...  Então liguei pra minha mãe pra ver se ela conseguia mandar o dinheiro pra caixa econômica.  Assim eu conseguiria usar o cartão da caixa, já que o do bradesco, onde tinha o dinheiro do exame, estava no raio da carteira sumida.  Nesse meio tempo eu vi que o pneu do carro estava furado...  Minha mãe sugeriu que a gente passasse lá e pegasse o cartão dela, mas como?  Teria que ir no borracheiro, já que o estepe tbm estava furado...  Enfim, minha mãe veio pra casa e fui com o carro dela.  Parecia que não era pra ir mesmo...  Afffff
Chegando lá, aguardei por um tempão.  Muito nervosa.  Porém quando o médico chegou e nos viu e viu o exame anterior, ele disse que preferia fazer o morfológico com 13 semanas e não com 12, pois conseguiríamos visualizar melhor tudo.  Mas como eu já estava lá, faria um usg só pra nós vermos o bebê.  Olhamos o bebê que se mexia bastante.  Mas lá continuava a suspeita de onfalocele.  Por um ângulo parecia até gastrosquise.  Mas assim como na semana anterior, por outro ângulo lá estava a barriguinha perfeitamente lisa.  Mas de perfil, um grande volume no abdômen...  Com o doppler algo mais estranho: circulação sangüínea no grande volume, o que fez ele suspeitar que talvez fosse um nó verdadeiro, visto que não saiu do lugar por uma semana.
Enfim ele disse que na próxima semana avaliaria riscos de trissomias, já que onfalocele ou gastrosquise pode estar associada a alguma trissomia.  Ainda foi olhar algo nas perninhas, mas viu apenas perninhas se movimentando normalmente.  Foi olhar algo nas mãozinhas e parece que encontrou mãozinhas perfeitas...  Mas...
Pra mim, bastou pra acabar com meu dia.  Pensar em estar gerando um bebê com onfalocele ou gastrosquise já é dolorido pra mim, pois sei que ele necessitará de cuidados imediatos quando nascer. Vai ser afastado de mim e provavelmente, sem grana e morando em feira, não poderei nem dar um nascimento digno pra ele.  Isso pra mim já é dolorido.   Mas pensar que ele pode ter uma trissomia grave, que é incompatível com a vida é como me matar aos poucos.  Se houver suspeita de down eu não me importo nem um pouco.  Pra mim não há problema algum.  Mas e se for outra suspeita?  Isso está acabando comigo.  Não tenho forças pra lidar com isso.  Não sinto mais alegria nenhuma com a gestação.  Meus enjôos voltaram, o que prova que está ligado ao emocional.  Tem momentos que sinto raiva.  Tem hora que me pego pensando que poderia perder logo esse bebê.  E então sofro por esse pensamento, pois não temos absolutamente nada confirmado.  Mas e se for confirmado algo incompatível com a vida?  Como vou lidar com isso?  Como vou carregar um bebê que não poderei ter comigo?  O que direi pros meus filhos?  Como explicarei pra eles?  E sinto raiva de novo.  Raiva do bebê que morreu, raiva do bebê que ficou, raiva de mim por ter raiva do bebê sem ter nada confirmado...
Quando soube da gravidez gemelar fiz tantos planos...  Imaginava dois bebês no meu colo, dois bebês dormindo comigo, dois bebês um ao lado do outro, dois bebês o tempo todo.  Quando um se foi, nada mais eu consigo imaginar.  Não consigo imaginar esse bebê no meu colo, não consigo imaginar ele na minha vida.  Não que eu não o deseje, mas acho que meu cérebro criou um bloqueio.  A única coisa que imagino é que é um menino.  Mas nada mais...  Hoje Rebeca veio até mim e espontaneamente deu um beijo na minha barriga e disse: te amo, nenê!  Achei tão lindo e ao mesmo tempo me deu uma dor profunda.
Estou sofrendo muito e não quero demonstrar, não quero falar, não quero que ninguém saiba.  Comentei com o Rafael que não sabe o que fazer nem o que dizer pra me ajudar.  Chorei, desabafei.  E ele disse que preciso confiar mais. E nesse dia, durante o banho, vi minha tatuagem: determinação e confiança.  Onde foi parar minha confiança!  Onde foi???
Longos cinco dias pela frente até o novo exame.  Mais detalhado, com 3D.  E então meu sofrimento terá fim. Ou estará apenas começando...

terça-feira, 20 de janeiro de 2015

Medo, felicidade, sustos e expectativas

O medo foi me consumindo todos os dias até que eu completei onze semanas e lá fui eu fazer outro usg.  Eu tinha certeza que algo não estava bem e esperava encontrar o outro bbzinho morto tbm.  Ao mesmo tempo agradecia imensamente pelo fato de, mesmo tendo passado por um aborto, não ter passado por um aborto!  Explico: eu tive uma perda gestacional, afinal um dos bebezinhos parou de se desenvolver.  Se fosse uma gestação única meu corpo expulsaria esse embrião depois de um tempo.  Por tanto, foi um aborto.  Mas um aborto que não saiu, pois tem outro bebezinho aqui dentro. E isso me faz muito feliz, pois eu sempre morri de medo de passar por todas as dores de um aborto: física e emocional.  A emocional eu passei e ainda passo.  Ainda dói!  Mas a física eu não passarei!  E isso é um alívio pra mim!
Mas voltando ao usg.  Eu estava muito nervosa, angustiada e com medo.  Mas quando o médico colocou o aparelho e ligou o som com aquele coracaozinho alto e rápido, a alegria foi sem tamanho!  E ele se mexia todo! Perninhas, bracinhos...  Um serzinho minúsculo de 3,8 cm!!!  Fiquei muito feliz!
O dia passou rápido e normal.  No dia seguinte a gente iria à praia.  Mas perto da meia noite eu comeci a sangrar.  Bastante sangue vivo no papel, pingou no vaso, no banho... Na hora me senti paralisada.  Pensei em ir ao hospital.  Mas iriam fazer o que comigo?  Nada!  Fiz um toque e o colo estava fechadinho!  Então poderia ter sido o usg transvaginal.  Cancelei a praia e fui dormir.  No dia seguinte fui fazer outro usg, lógico!  A primeira coisa que vimos foi o bebezinho lá todo feliz e se mexendo.  O médico olhou, procurou e achou que poderia ser sangramento do outro saco gestacional, do bebê morto.  Mas não parecia muito.  Até que achou que uma pontinha da placenta está cobrindo o orifício interno do útero.  Igual na gestação do Henrique.  Saco...  Agora é ficar na expectativa de subir essa placenta!  E vai subir, claro que vai!
Mas durante o usg uma suspeita surgiu: onfalocele.  Só uma suspeita que vinha de um ângulo de visualização.  Por outro ângulo não aparecia nada.  Mas essa suspeita tem me deixado bem ansiosa em relação ao próximo usg que está marcado para dia 22, quando estarei com 12 semanas e 3 dias.
E esses meses tem passado em meio à alegria, tristeza, angústia...
Conversando sobre o parto, lembrei que no parto no Francisco eu não tinha expectativas.  Só queria parir.  No parto da Rebeca minha única expectativa era parir em casa.  E para esse bebê minha única expectativa é que tudo fique bem.
Que tudo fique bem!

quarta-feira, 7 de janeiro de 2015

Aceitando melhor

É...  Já estou aceitando melhor a perda de um dos bebês.  Ainda dói.  Mas aceito bem.  Sinto que passei pelos estágios de luto em dois dias.  Primeiro a negação.  Meus pensamentos eram basicamente: Não acredito que isso está acontecendo!  Deve ter sido um erro!  Deve estar lá!
Depois veio a raiva: pq isso aconteceu comigo?  O que eu fiz?  Eu não mereço?
Passei rapidadamente pela negociação: ai, deus!  Queria um milagre...
E então quis me isolar, ficar quieta e deitada, praticamente curtindo uma depressão...
Por fim aceitei.  Aconteceu e ponto!  Aconteceu com muitas pessoas e elas sobreviveram.
Só restou o medo pelo outro bebê.  Será que ele vai ficar bem?  Será que tem saúde.  Será que vai sobreviver?  E esse medo não tem o que fazer pra passar...
Sinto que me afastei um pouco dele, acredito que em um mecanismo de defesa mesmo.  Não consigo mais imaginá-lo, não consigo mais acariciar a barriga.  Mesmo que me esforce, não consigo, não é natural.  Em casa eu prefiro não tocar no assunto bebê.  Minha mãe me perguntou sobre o bebê e eu disse que preferia não criar expectativas.  E assim é melhor...  Pelo menos para mim.
Decidi que farei outro usg segunda-feira.  Me sinto mais segura assim.  Segura emocionalmente.  Quero olhar e ver se ainda está lá!
Nesses dois dias a única coisa que passou em minha cabeça em relação a esse bebê é que, se ele sobreviver, vai ser tão, mas tão amado que acho até que será amado em dobro.  Pensamento bobo, mas percebo que eu já o amo, apesar de eu ter me distanciado como defesa.  Claro que eu já o amo.  Eu já amava aquele outro bebezinho tbm...  Eles dois já faziam parte da minha vida.
E a vida segue.

segunda-feira, 5 de janeiro de 2015

Triste...

Não são mais dois bebezinhos...  Agora é apenas um.
Desde que descobri a gestação gemelar, algo me dizia que as coisas não iam bem.  Não sei o que foi.  Ao mesmo tempo que acreditava que era só um medo normal de início de gestação, tbm achava que poderia não dar certo a gestação...  Cismei que queria fazer um usg.  Cismei tanto que hoje, com 10 semanas eu fui fazer.  E foi constatado o óbito de um dos bebezinhos.  A IG do bebezinho vivo foi de 9 semanas e 4 dias.  A do bebezinho que não viveu foi de 9 semanas e 1 dia.  Ele parou há uns dois ou três dias atrás.
Quanta tristeza...  É difícil entender e aceitar.  Pq isso aconteceu?  Pq eu sabia que engravidaria de gêmeos, pq sonhei que eram gêmeos antes mesmo de fazer usg e pq engravidei de fato de gêmeos para depois perder um deles?  São respostas que nunca terei...  Ele parecia todo formadinho...
Agora, além de uma dor imensa, um medo enorme está me consumindo.  E se o outro bebezinho parar tbm?
É muito triste...  Pq apesar de serem tão minúsculos, a gente já tinha feito tantos planos, tantas expectativas.  Se a tristeza está enorme e ainda tenho um na barriga, não consigo imaginar como é perder um bebê em gestação única!  Aqui, apesar do medo, ainda tenho,esperanças e planos.  Ainda tenho esperança de carregar esse bebezinho no colo.  E quem não tem em que ter esperança?  Deve ser terrível...
Não vou escrever: mas vou seguir em frente, pois minha vontade é só ficar quietinha, dormindo, deitada...  E foi assim que passei a sexta e o domingo todinho.  Parecia mesmo que eu sabia...  Acho que o corpo avisa...  Estou muito triste mesmo...  Vi o outro bebezinho se mexendo todinho com o coracaozinho batendo beeeem forte.  Mas o outro tão paradinho não me sai da cabeça.  Triste demais...

quinta-feira, 1 de janeiro de 2015

Nada de novo!

Nada de novo aconteceu.  Minha barriga continua crescendo, mas ainda tem cara de pança!  Aliás, é a primeira vez que engravido com gordurinha localizada na barriga!  Sério!  Nunca tive gordura nessa região, mas no último ano uma gordurinha se acumulou em volta do umbigo.  Eis que agora meu útero está crescendo e empurrando tudo lá de dentro pra cima e essa pança gordurenta tbm! Kkkkk. Estou com um barrigão de banha!  Kkkk
Ah...  E os hormônios?  Meus inícios de gestação são tristes e sofridos.  Lembro com nitidez o início da gravidez do Francisco e da Rebeca.  Eu só chorava e tinha muitos sentimentos contraditórios em relação ao bebê.  Sempre me sentia culpada por ter engravidado, por ter desejado, que era errado eu desejar ter mais filhos.  Mas ao mesmo tempo amava aquela sementinha.  E chorava por não estar feliz.  E chorava pq as pessoas me julgavam. E chorava pq não queria me importar e me importava...  Só chorava.  Até que chegava lá pelas 12 semanas e passava tudo!  Era como se eu tivesse vivido em uma nuvem cinza por 8 semanas!
E dessa vez eu esperava a mesma coisa.  Ainda mais com os problemas que venho enfrentando.  Esperava logo o meu chororô todo.  Mas esse chororô não chegou e acho que não chegará!  A euforia e felicidade por estar esperando dois bebês é tanta que não tem espaço pra hormônio infeliz!  Não tem um minuto que posso dizer que estive triste ou tive sentimentos contraditórios!  É só alegria!  Uma alegria imensa por estar esperando gêmeos!!!  Dois bebês!  Meu deus!  Quanta alegria!
Já disse aqui, mas acho que repetirei isso pra sempre!  Eu sempre sonhei com gêmeos!  Sempre pedi que deus me mandasse dois bebês de uma vez!  Não sei pq, mas sempre quis!  Sempre achei lindo!
Lembro de um estágio que fiz na maternidade Interlagos.  Quando a mulher tinha alta do centro cirúrgico e ia para o quarto, a gente ia buscá-la na maca e o bebê ia deitadinho no meio das pernas dela.  Lembro de ir buscar uma mulher que tinha tido gêmeos.  E aquela imagem dela com dois bebês foi pra mim como estar olhando para uma Deusa!  Ela irradiava felicidade.  E ela chegou no quarto e todas as outras mães queriam ver os gêmeos.  E teve uma outra tbm que era quase uma senhora.  Ela era do interior, do meio do mato, roça mesmo.  Mal fez pre natal.  Chegou lá no hospital para ter um bebê e nasceram dois!  Dois menininhos lindos!  E ela com quase 50 anos, todos os outros filhos adultos e dois bebezinhos!  Coisa mais linda!
E agora aqui estou com dois bebezinhos!  E tenho tanto medo de perder, mas tanto!  Por mim, faria um usg por semana até eles começarem a mexer kkkk. Mas descobri que usg de gêmeos o preço é cobrado dobrado.  Então tá!  Vou esperar pra fazer o de 12 semanas mesmo...
Estou com 9...